*Projeto desenvolvido em parceria com Meius Arquitetura e Marília Monteiro.

A casa está localizada em um condomínio em Nova Lima, município da região metropolitana de Belo Horizonte a 25 km da capital mineira. Sua volumetria simples é composta por duas caixas retangulares com idênticas dimensões e revestimentos externos que se sobrepõem por um desenho perpendicular. O contraste entre a construção e a presença da paisagem delimita o espaço construído e apropria-se do cenário sem competir com natureza, contudo assumindo a intervenção humana. O verde da vegetação e o azul do céu transformam a paisagem e envolvem a casa que permeia os espaços. As grandes aberturas enquadram e direcionam as vistas para as árvores preservadas do entorno, simultaneamente a vegetação assegura a privacidade e sombreia os espaços internos. As faces externas do desenho lógico e reto, revestidas com telha ondulada metálica, dão contraste as formas orgânicas e materialidade da natureza.

Para celeridade da aprovação do projeto junto ao município e evitar um processo burocrático excessivamente demorado, uma das premissas foi usufruir do documento existente de um antigo projeto de ocupação para o lote autorizando a intervenção ambiental para tal desenho. Dessa forma, a nova implantação deveria respeitar a mancha de intervenção aprovada mantendo a área remanescente equivalente à área que não foi autorizada a supressão da vegetação. Por meio da configuração de muro de contenção que baliza um grande patamar construído nesse terreno íngreme o programa se divide em dois níveis: O primeiro nível, que corresponde ao plano do platô e abriga o programa social da casa, comportando também uma ala em pilotis que garante o estacionamento coberto e conexão para o nível superior; E o segundo nível, que se apoia no bloco inferior e no muro de contenção, e equivale ao programa íntimo da casa.

Valorizando as áreas externas tanto quanto os espaços internos, a implantação tira proveito das dimensões do patamar disponível e desenha um pátio entre os dois setores — íntimo e social. A sobreposição dos volumes libera a maior parte da área plana do terreno para o usufruto do espaço externo contígua ao bloco social do programa. Uma grande porta de correr abre os espaços da cozinha e sala para o patamar, incentivando o uso coletivo dos espaços e proporcionado um eventual uso simultâneo — externo e interno. Já a parte íntima do programa — três quartos, um escritório e banheiros — se isola da área social e eventualmente ruidosa para um segundo pavimento. As circulações horizontal e vertical atuam como uma barreira entre os espaços e as aberturas dos demais ambientes miram para a vegetação nativa e para a orientação sul do lote.

A casa foi pensada a partir de uma lógica estrutural mista composta de perfis de aço pesado — que estruturam o segundo pavimento, o aço leve (LSF) e o concreto. A malha metálica que emprega perfis de aço feitos a frio compõe toda caixa estrutural do primeiro e segundo pavimento. Contraventamentos, suporte de chumbadores, chapas de conexão, e de reforço fazem parte do kit de montagem fixada apenas por parafusos. No sistema de montagem utilizado, as peças já vem com o dimensionamento exato conforme projeto estrutural e com os furos já feitos para ligação das peças, evitando recortes e sobras de materiais na obra. As fachadas externas, bem como a estrutura do telhado, foram revestidas com manta impermeável, garantindo a estanqueidade contra a presença de água ou umidade. Para o isolamento térmico e acústico foi utilizado nas paredes o sistema sanduíche formado por placas de gesso acartonado, lã de rocha, painéis de lasca de madeira prensada e membrana permeável.

CASA PASÁRGADA
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